Ernesto Guevara de la Serna nasceu em Rosário, importante cidade industrial Argentina ao noroeste de Buenos Aires, numa família abastada porém de idéias socialistas.
Ernesto tinha dois anos quando sofreu o primeiro ataque de
asma. Estudou grande parte do ensino fundamental com sua mãe em casa, onde havia uma biblioteca de cerca de três mil volumes com obras de
Marx,
Engels e
Lenin, com os quais se familiarizou em sua adolescência. Por volta dos 12 ou 13 anos lia frequentemente. Sabe-se que leu
Júlio Verne,
Alexandre Dumas,
Baudelaire,
Neruda e
Freud aos 15 anos.
Os ataques de asma sofridos por Ernesto durante a infância foram muito violentos e em vista de o menino não melhorar, os médicos aconselharam uma mudança de ares. Foi assim que, em
1932, contava Ernesto quatro anos, a família mudou-se para a região de
Córdoba, no centro da Argentina, que na altura não era ainda a zona industrial que hoje é. Radicaram-se em Altagracía, uma pequena estância de veraneio, não muito longe da cidade de Córdoba. Viviam numa casa de estilo inglês, uma cottage chamada Villa Nidia. Foi titular do primeiro time de juniores do Velez Sarsfield.
Em
1944, os negócios da família de Che vão mal e Ernesto emprega-se como funcionário da Câmara de uma vila nos arredores de Córdoba para ajudar as finanças em casa, sem deixar, contudo, de estudar.
Em
1946 terminou o liceu. Os Guevara mudaram-se para
Bogotá[
carece de fontes?] e Ernesto ingressou na
universidade. Continuando a situação econômica a deteriorar-se, foram obrigados a vender com prejuízo a plantação de mate que tinham desenvolvido. Na capital, Ernesto empregou-se outra vez como funcionário municipal e mais tarde numa
tipografia, continuando, não obstante, o curso de
medicina. Houve um período durante o qual trabalhou como voluntário num instituto de pesquisas sexuais, então mantido pelo partido comunista. Nesse ano de
1946 foi chamado ao
serviço militar, que, ironicamente, o recusou por inaptidão física.
Depois da
Segunda Guerra Mundial, com a vitória dos aliados, a oposição a
Juan Domingo Perón ganhou novo ânimo. Os estudantes constituiram a sua camada mais aguerrida. Guevara participou nessas lutas.
Fez uma viagem, começada de bicicleta e terminada a pé, pelas províncias argentinas de
Tucumán,
Mendoza,
Salta,
Jujuy e
La Rioja, na qual percorreu diversos resorts Andinos.
E em
1951, ainda não tinha terminado a formatura em Medicina, iniciou, com Alberto Granado, uma grande viagem pelo continente na velha moto do companheiro conhecida pelo nome de "La Poderosa". Nessa viagem, Guevara começa a ver a
América Latina como uma única entidade
económica e
cultural. Visita minas de
cobre, povoações indígenas e leprosários, interagindo com a população, especialmente os mais humildes. De volta à
Argentina em
1953 acaba os estudos de
Medicina e passa a dedicar-se à
política.
Em 1953, Guevara atuou como
repórter fotográfico cobrindo os
Jogos Pan-Americanos do
México, por uma
agência de notícias argentina. Ainda em julho de 1953, inicia sua segunda viagem pela
América Latina. Nessa oportunidade visita
Bolívia,
Peru,
Equador,
Colômbia,
Panamá,
Costa Rica,
El Salvador e
Guatemala.
Foi por causa da
visão de tanta
miséria e
impotência e das lutas e sofrimentos que presenciou em suas viagens que o
jovem médico Ernesto Guevara concluiu que a única maneira de acabar com todas as
desigualdades sociais era promovendo mudanças na política administrativa mundial.
Em sua passagem pela Guatemala, onde chegou em Dezembro de 1953, Che presencia a luta do recém-eleito
presidente Jacob Arbenz Guzmán, liderando um governo de cunho popular, na tentativa de realizar reformas de base, eliminar o latifúndio, diminuir as desigualdades sociais e um dos principais objetivos, garantir a mulher no mercado de trabalho.
O governo americano se opunha a Arbenz e, através da
CIA, coordenou várias ações, incluindo o apoio a grupos
paramilitares, contra o governo eleito da Guatemala, por não se alinhar à sua política para a América Latina.
As experiências na Guatemala são importantes na construção de sua consciência política. Lá Che Guevara auto define-se um revolucionário e posiciona-se contra o
imperialismo americano.
Nesse meio tempo, Che conhece Hilda Gadea, com quem se casa e de cuja união nasce sua primeira filha, Hildita.
Em
1954, no
México através de
Ñico López, um amigo das lutas na
Guatemala, ele conhece
Raúl Castro que logo o apresentaria a seu
irmão mais velho,
Fidel Castro. Esse organiza e lidera o
movimento guerrilheiro 26 de Julho, ou M26, em referência ao assalto ao Quartel Moncada, onde em 26 de julho de 1953, Fidel Castro liderou uma ação militar na qual tentava tomar a principal prisão de presos políticos em Santiago. Guevara faz parte dos 82 homens que partem para
Cuba em 1956 com
Fidel Castro e dos quais só 12 sobreviveriam. É durante esse ataque que Che, após ser duramente violentado pelos rebeldes, larga a maleta médica por uma caixa de
munição de um companheiro abatido, um momento que tempos depois ele iria definir como o marco divisor na sua transição de
doutor a
revolucionário.
Em seguida eles se instalam nas
montanhas da
Sierra Maestra de onde iniciam a luta contra o
presidente cubano
Fulgencio Batista, que era apoiado pelos
Estados Unidos.
Os rebeldes lentamente se fortalecem, aumentando seu armamento e angariando apoio e o recrutamento de muitos
camponeses, intelectuais e
trabalhadores urbanos. Guevara toma a responsabilidade de médico revolucionário, mas, em pouco tempo, foi se tornando naturalmente
líder e seguido pelos rebeldes.
Após a
vitória dos revolucionários em
1959, Batista exila-se em
São Domingos e instaura-se o um novo regime em Cuba, de orientação socialista. Mas teria sido a hostilidade dos Estados Unidos que levou ao seu alinhamento com a
URSS. (“Eu tinha a maior vontade de entender-me com os Estados Unidos. Até fui lá, falei, expliquei nossos objetivos. (...) Mas os bombardeios, por aviões americanos, de nossas fazendas açucareiras, das nossas cidades; as ameaças de invasão por tropas mercenárias e a ameaça de sanções econômicas constituem agressões à nossa soberania nacional, ao nosso povo”.) (Fidel Castro, a Louis Wiznitzer, enviado especial do GLOBO a Havana, em entrevista publicada em 24 de março de 1960).